As gigantescas manifestações de rua, no mês de junho deste ano, marcaram o início de uma nova era para o Brasil ou tratou-se de um fato pontual?
Foi dito nos megafones, nas faixas, nos cartazes e em pinturas nos corpos dos próprios manifestantes, entre outras coisas, que ‘o gigante acordou’ e quer agenda social, concretizada com competência, ética e punição para os que se desviarem da lei.
Chegou o mês de outubro e não se percebeu guinada significativa para as áreas da educação, saúde, transporte público, segurança… A incompetência, o desperdício e as bandalheiras com o dinheiro público continuam denunciados, diariamente, pela imprensa, e, a sensação de impunidade ganhou corpo com a decisão do Supremo Tribunal Federal em conceder sobrevida aos operadores (e beneficiários) do mensalão que, segundo denúncias, garfaram 170 milhões de reais dos cofres públicos.
Por todos estes motivos, imaginava-se agigantamento das manifestações de rua e no interesse em escolher os que possuem a função institucional de concretizar a agenda reclamada.
Mas está ocorrendo o contrário. Poucas pessoas compareceram nas manifestações de 7 de setembro e 69% dos catarinenses (pesquisa Ibope, veiculada na RBS em 5 de outubro de 2013) demonstram “pouco” e “nenhum interesse” no pleito do ano que vem, que vai (re?)eleger os próximos governadores, presidente da república, senadores, deputados estaduais e federais.
Ou era esperado que as manifestações de rua fossem suficientes? Em “para onde vão os movimentos”, neste espaço, sugeri que se canalizasse a vitalidade das ruas, mas sem violência, para a vigilância dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, por meio, em especial, do Portal da Transparência, da Lei do Acesso à Informação, das Audiências Públicas e da participação nos Conselhos Municipais, onde se decide e se fiscaliza a aplicação do dinheiro público. Também enfatizei que se buscasse findar a centralização dos recursos em Brasília, causa maior do aniquilamento dos municípios, da corrupção, das deformidades e dos casuísmos políticos.
Mas não é tudo. É preciso, também e fundamentalmente, votar bem e acompanhar os eleitos. Quer dizer, escolher os candidatos, não pela barganha pessoal, porque é amigo ou pela aparência (beleza física, simpatia e discurso fácil), mas pela consistência das propostas, comprometimento com a coletividade e conduta ilibada. E, depois de eleitos, acompanhá-los, por meio das ferramentas acima citadas e do conhecimento prévio das pautas de votação – se do Legislativo – para, com base no interesse coletivo, dizer a ele como deve votar.
É isso mesmo: não basta manifestar indignação e apontar a agenda. É preciso participar, constantemente, para que ela se concretize.

